Incêndio de grandes proporções atinge Parque de Ibitipoca, em Minas

Um incêndio de grandes proporções já destruiu uma extensa área do Parque Estadual de Ibitipoca, em Lima Duarte (MG), na Zona da Mata, a cerca de 300 quilômetros de Belo Horizonte. 

Segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF), autarquia responsável por administrar a unidade de conservação, o fogo começou na tarde do último domingo (27), em uma área próxima ao parque. As chamas se espalharam rapidamente e, ontem (28), atingiram a unidade.

Há três dias, bombeiros, brigadistas, voluntários e servidores do parque estadual tentam controlar a situação e apagar as labaredas que se propagam pela vegetação seca.

Ao todo, 75 pessoas estão participando da ação de combate ao fogo, que conta com o apoio de um helicóptero do Corpo de Bombeiros.

Visitas são suspensas

Devido ao incêndio, o IEF suspendeu a reabertura do parque às visitações. Após seis meses fechado ao público em função das medidas adotadas devido à pandemia da covid-19, as visitas seriam retomadas nesta quarta-feira (30). Em nota, o instituto estadual afirma que a nova data para reabrir será anunciada assim que o fogo estiver apagado e a situação normalizada.

As causas e a área total queimada ainda serão apuradas. A expectativa do IEF é que as chamas sejam apagadas até amanhã.

Coberto pela Mata Atlântica, o Parque Estadual de Ibitipoca é um dos mais visitados em Minas Gerais e uma das principais atrações turísticas da Zona da Mata, possuindo vários córregos e riachos com atrativos como piscinas naturais e cachoeiras. 

Segundo o IEF, a região abriga espécies ameaçadas de extinção como a onça parda, o lobo-guará e o primata sauá. Na área também é possível encontrar macacos barbados (bugios), papagaios-do-peito roxo, coatis e andorinhão-de-coleira falha. Além disso, uma espécie de perereca, a Hyla ibitipoca, foi avistada pela primeira vez na região, da qual herdou o sobrenome.

Queimadas

Bombeiros e brigadistas mineiros vêm enfrentando incêndios florestais em diferentes regiões de Minas Gerais. Só nos últimos dias, dois grandes focos mobilizaram equipes na Serra de São Domingos e em Ituitaba.

Na Serra de São Domingos, em Poços de Caldas (MG), o fogo, que começou na tarde de domingo (27), só foi controlado na manhã de ontem (28). A exemplo do Parque Estadual de Ibitipoca, a serra atrai muitos turistas. Um balanço preliminar indica que as chamas incineraram cerca de 13 hectares de vegetação nativa. Cada hectare corresponde, aproximadamente, a um campo de futebol oficial.

Já em Ituitaba, cidade próxima à divisa com Goiás, a cerca de 140 quilômetros de Uberlândia, um incêndio florestal consumiu, no domingo, algo em torno de 10 mil metros quadrados, segundo o Corpo de Bombeiros. O fogo foi apagado no mesmo dia.

 


Link do Autor

imagem_destaque_padrao.png

Nasa inicia experimentos com um novo protótipo de banheiro

A ideia do homem na Lua ou em Marte, em futuras colônias, é cada vez mais cogitada por agências espaciais. Mas, para esta exploração, além de tecnologia é preciso estratégia, principalmente quando o assunto é a vivência dos astronautas em missões que podem levar meses e até anos.

Realidade também dos astronautas que ficam por longas jornadas na Estação Espacial Internacional (ISS), que foi construída com investimento coletivo e colaboração de astronautas de vários países.

Rotinas cada vez mais sustentáveis estão em teste e podem garantir o sucesso de futuras missões espaciais.

Já de olho na Artemis, que levará a primeira mulher à Lua em 2024, e em missões para Marte, a Nasa inicia experimentos com um novo protótipo de banheiro que será levado à ISS, na quinta-feira (1º), pela nave espacial Cygnus.

O lançamento inicial da Cygnus – que leva também experimentos científicos e suprimentos – estava previsto para esta terça-feira (29), mas foi adiado devido às condições climáticas.

Gerenciamento de resíduos

Segundo a Agência Espacial Norte-Americana, o novo banheiro, chamado de Sistema de Gerenciamento de Resíduos Universal (UWMS), é 65% menor e 40% mais leve e foi adaptado levando em conta as considerações de conforto e segurança dos astronautas, inclusive das mulheres.

Neste sistema, a urina passará por um sistema de reciclagem e tratamento para uso posterior da água. A meta, segundo a Nasa, é atingir taxas de reciclagem de 98% antes das primeiras missões humanas para Marte.

Já os resíduos sólidos – que não são processados para recuperação de água – ficam em um recipiente removível de armazenamento. Parte é devolvida à Terra para avaliação, mas a maioria é carregada em uma nave de carga que queima ao entrar na atmosfera da Terra.

“O ideal é que nada escape de ser reutilizado. Então, se tiver como aproveitar a água dos dejetos com certeza farão até para deixar isso mais barato e mais eficiente”, diz a engenheira aeroespacial Ana Paula Castro que participou da missão espacial simulada da ESA – Agência Espacial Europeia – EuromoonMars, em dezembro do ano passado.

No experimento no Havaí, que simulava um habitat extraterrestre, foi adotado o sistema de compostagem, em que os dejetos humanos são desidratados.

“É tipo uma caixa que tem um toilet normal e os dejetos vão para um recipiente abaixo. Nesta caixa, adicionam-se compostos secos e um líquido para eliminar bactérias e fazer a compostagem. Tem uma manivela que você roda e dependendo da quantidade de pessoas, essa caixa tem que ser limpa a cada 3 a 5 dias. O ideal seria reutilizar para fertilizar o solo”, diz a engenheira aeroespacial.

Alimentação

Outro desafio para missões espaciais é a alimentação dos astronautas. Como elaborar um cardápio que atenda às exigências da saúde física e mental e ainda seja sustentável?

Pensando nisso, agências espaciais, como a norte-americana e a europeia, já estudam espécies de estufas para plantações de batata doce, couve, soja, entre outros.

Ao longo das décadas, o processamento dos alimentos foi modernizado – passando de tubos com pastas a um cardápio bem próximo do que comemos na Terra, como frutas, atum enlatado e até tortilhas.

Para a nutricionista Juliana Meirelles, além de compor a logística da viagem, os alimentos são importantes para resguardar mudanças que ocorrem no corpo dos astronautas devido à microgravidade.

“Quando a gente pensa em uma missão espacial, além desta questão de planejar a adequação dos micro e macronutrientes, há também as questões ambientais que impactam o nosso metabolismo, mas também a comida que é levada para o espaço. Comida que muitas vezes tem que passar por diversos processos industriais para que suporte a viagem e que dure mais tempo na prateleira, que pode durar até seis anos. Então, toda tecnologia empregada é bastante importante para que isso aconteça”, diz a nutricionista.


Link do Autor

Falta de consenso adia instalação da Comissão de Orçamento

Foi adiada para a próxima terça-feira (6) a instalação da Comissão Mista de Orçamento (CMO). A decisão foi tomada por causa da falta de consenso quanto à presidência e a proporcionalidade das bancadas. O líder do Centrão, deputado Arthur Lira (PP-PB), questionou o espaço do PROS e do PSC. Segundo o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) a decisão foi tomada para “evitar conflitos” e para que as bancadas possam articular e chegar a um acordo. Ainda segundo Davi, a divergência está no método definido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para a distribuição de vagas entre os deputados. Por esse critério, Pros e PSC ficariam sem representação no colegiado. A regra está respaldada nas consultorias da CMO e do Congresso Nacional, mas o presidente considerou legítimo o questionamento.

A comissão é composta por 40 titulares, sendo 30 deputados e 10 senadores escolhidos pelos líderes partidários. Após a instalação, os parlamentares vão eleger o presidente do colegiado, que deverá ser um deputado, seguindo a regra de alternância para ocupação do cargo entre Câmara e Senado. “De fato, a consultoria tem um entendimento. Mas houve a discordância de alguns deputados. Como a gente sabe que a CMO funciona sempre buscando o consenso, pelo menos a maioria para deliberar, para não haver conflito, a gente adiou por uma semana. Na próxima semana, vamos instalar a comissão. Se não tiver esse entendimento para votar por unanimidade o presidente e os relatores da LDO e da LOA, a gente vai para o voto. Aí, quem tiver voto vai fazer o presidente”, adiantou Davi Alcolumbre.

O colegiado é responsável por debater e votar as leis orçamentárias para 2021 e deverá funcionar de forma remota por causa da pandemia. O relator da proposta do orçamentária será o senador Marcio Bittar (MDB-AC), que terá como desafio de apresentar um relatório com a previsão de receitas e despesas da União para o ano que vem, impactado pela pandemia da covid-19.


Link do Autor

Ipea: renda dos mais pobres foi 32% maior que o habitual em agosto

Cerca de 4,25 milhões de domicílios brasileiros, o equivalente a 6,2% dos lares, sobreviveram, em agosto, apenas com a renda do auxílio emergencial de R$ 600, pago pelo governo federal para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia da covid-19. A proporção de domicílios exclusivamente dependentes do auxílio foi maior no Nordeste, ultrapassando os 13% no Piauí e na Bahia.

Entre os domicílios mais pobres, os rendimentos atingiram 132% do que seriam com as rendas habituais em agosto. A ajuda financeira também foi suficiente para superar em 41% a perda da massa salarial entre as pessoas que permaneceram ocupadas.

Os resultados constam do estudo divulgado nesta terça-feira (29) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulado Os efeitos da pandemia sobre os rendimentos do trabalho e o impacto do auxílio emergencial: os resultados dos microdados da PNAD Covid-19 de agosto, que utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O papel do auxílio emergencial na compensação da renda perdida em virtude da pandemia foi proporcionalmente maior do que no mês anterior”, disse, em nota, o autor da pesquisa Sandro Sacchet.

Em comparação com o mês anterior, a redução da diferença entre a renda efetiva e a habitual foi generalizada. De modo geral, os trabalhadores receberam em agosto 89,4% dos rendimentos habituais (2,3 pontos percentuais acima de julho) – R$ 2.132 em média, contra uma renda habitual de R$ 2.384.

Já os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada receberam 86,1% do habitual contra 85% no mês anterior. Trabalhadores do setor privado com carteira e funcionários públicos continuaram a receber, em média, 95% do rendimento habitual.

A recuperação do nível de renda foi maior entre os trabalhadores por conta própria, que receberam em agosto 76% do que habitualmente recebiam, contra 72% em julho, alcançando rendimentos efetivos médios de R$ 1.486.

Ainda que tenham recuperado parcela mais significativa da perda salarial devido à pandemia, os que trabalham por conta própria continuam tendo um dos menores índices de renda efetiva. O estudo cita como exemplo os trabalhadores de tratamento de beleza e serviços pessoais que receberam em agosto apenas 68,6% da renda habitual, auferindo uma renda média de R$ 1.072. O resultado, porém, é melhor que o de julho, quando receberam 60% da renda habitual.

Outros grupos que sofreram muito com a pandemia, mas que apresentaram maior recuperação em seus rendimentos são os trabalhadores de atividades artísticas, esportivas e recreação (crescimento de 15% da renda); atividades imobiliárias (aumento de 20%); hospedagem (10,5%); serviços de alimentação (7,1%); e transporte de passageiros (7,3%).

Segundo o Ipea, os trabalhadores menos afetados pela pandemia estão na administração pública, na indústria extrativa, nos serviços de utilidade pública, na educação, em serviços financeiros e armazenamento, nos correios e nos serviços de entrega.

No Nordeste, a renda efetiva subiu de 86,7% do habitual em julho para 89,6% em agosto, enquanto o Centro-Oeste continua sendo a região menos impactada (91,8%).

Conforme o estudo, o efeito da pandemia continua mais severo entre os idosos (85,6%) e menor entre os mais jovens (90,8%), e o impacto foi menor entre aqueles com ensino médio ou superior (89% para trabalhadores com médio completo e 91,1% para aqueles com ensino superior).


Link do Autor

Confiança dos Serviços cresce 2,9 pontos em setembro, diz FGV

O Índice de Confiança de Serviços, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve alta de 2,9 pontos na passagem de agosto para setembro e chegou a 87,9 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos. Essa é a quinta alta consecutiva do indicador, que mede a confiança do empresário do setor de serviços no país.

Onze dos 13 segmentos pesquisados pela FGV tiveram alta na confiança. As avaliações sobre o momento atual, medidas pelo Índice da Situação Atual, variaram apenas 0,1 ponto, para 76,9 pontos.

Já as expectativas em relação aos próximos meses, medidas pelo Índice de Expectativas, cresceram 5,4 pontos em setembro e chegaram a 98,9 pontos, igualando-se ao nível pré-pandemia (fevereiro de 2020).

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor de serviços se manteve estável em 81,8%.


Link do Autor

Inflação do aluguel é de 17,94% em 12 meses

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado no reajuste de contratos de aluguel em todo o país, registrou inflação de 4,34% em setembro deste ano, taxa superior aos 2,74% de agosto. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), com o resultado o indicador acumula 14,40% no ano e 17,94% em 12 meses.

A alta de agosto para setembro foi puxada pelos três subíndices que compõem o IGP-M. O Índice de Preços ao Produtor Amplo, que mede o atacado, passou de 3,74% em agosto para 5,92% em setembro.

O Índice de Preços ao Consumidor, que mede o varejo, subiu de 0,48% em agosto para 0,64% em setembro. Já o Índice Nacional de Custo da Construção passou de 0,82% em agosto para 1,15% em setembro.


Link do Autor

Novos casos de covid-19 em Manaus não são 2ª onda, diz pesquisador

Ainda é cedo para dizer que uma “segunda onda” do novo coronavírus atingiu Manaus, mas o momento é de atenção. A afirmação é do pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do sistema Infogripe, desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Ministério da Saúde e ativo desde 2014. Segundo ele, o aumento de casos na cidade é um fato que deve ser encarado com atenção, mas sem pânico.

“Falar de segunda onda pode ficar mais claro mais à frente, caso volte a ter um crescimento descontrolado, uma aceleração no contágio. A gente não está nessa fase, é um crescimento lento. Não é uma situação de pânico, porque não estamos na situação anterior, mas inspira cuidados”, disse ele em entrevista à Agência Brasil.

Segundo o pesquisador, os dados mais recentes coletados pela Fiocruz mostram que a capital amazonense tem mostrado um crescimento no número de casos que, apesar de não ser rápido e intenso para caracterizar uma segunda onda do vírus na cidade, deve ser visto com preocupação.

“O que temos de dados apontam para esse cenário de ter, de fato, um sinal muito sugestivo de retomada de crescimento [nas contaminações], mas esse crescimento ainda é, felizmente, lento. É melhor aproveitar que ainda é lento e agir, reavaliar as medidas de flexibilização já tomadas e ver no que, eventualmente, deve se recuar”, opinou.

Dados do governo do Amazonas mostram que o crescimento acentuado, ou a “primeira onda”, começou a se desenhar no fim de março, com pico no início de maio. Após uma forte queda em números de hospitalizações e óbitos pelo vírus, os números voltaram a subir a partir do início de agosto, mas ainda em uma proporção muito inferior ao registrado em maio. “Ainda não é uma situação catastrófica, mas os cuidados precisam redobrados neste momento para que a gente não chegue [ao estágio anterior]”, disse.

A prefeitura de Manaus já percebeu esse movimento ascendente de contaminações. Em 18 de setembro, o prefeito da cidade, Arthur Virgílio, decidiu fechar a praia do Complexo Turístico Ponta Negra, principal ponto turístico da capital. A prefeitura também ampliou, de 11 para 18, o número de Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atendimento preferencial de casos de covid-19.

“Desde que os números de casos confirmados de covid-19 e de internações em hospitais da cidade por causa da doença cresceram, a prefeitura de Manaus vem tomando medidas para a proteção da população”, disse a assessoria de imprensa da prefeitura. 

O prefeito também é favorável a um lockdown (confinamento) na cidade por, pelo menos, duas semanas. Mas só adotará a medida se houver apoio do governo do estado, uma vez que o município não tem efetivo policial suficiente para fazer valer as ações, caso sejam tomadas.

Imunidade de rebanho

O aumento de casos de covid-19 em Manaus põe à prova a tese de que a população da cidade já estaria, em sua grande parte, imune ao vírus, uma vez que muitos já tiveram contato com ele, a chamada “imunidade de rebanho”. Mais uma vez, o pesquisador da Fiocruz entende que é cedo para tirar essa conclusão.

“A gente não pode afirmar com certeza que Manaus já está com imunidade de grupo. Existem alguns trabalhos sugerindo isso, mas são resultados com limitações e incertezas e, portanto, devem ser interpretados com muita cautela. O risco de apostar todas as fichas na imunidade de grupo é relaxar e descobrir que não estava. E aí pode ser tarde demais”, afirmou.

Outras cidades que já passaram por um pico de contágio e reduziram esses números em seguida podem ter uma situação parecida com a de Manaus.

O Rio de Janeiro, por exemplo, tem experimentado um crescimento nos números de covid-19, mas sem o mesmo viés de alta de Manaus. “O vírus não foi embora e caiu porque a gente agiu. Atenção e cuidado ainda são extremamente necessários”, finalizou o pesquisador.  


Link do Autor

SP: reabertura de escolas amplia risco de covid-19 para 340 mil idosos

A aposentada Maria Elisa Victorino Geraldo, de 72 anos, divide a casa onde mora, na zona leste da capital paulista, com a mãe, Dinah de Rossi Victorino, de 94 anos, a filha e as netas. Ela é uma dos cerca de 340 mil idosos da cidade que coabitam com crianças e adolescentes em idade escolar.

Com a pandemia de covid-19 e a discussão sobre o retorno às aulas presenciais em São Paulo, Maria Elisa teme estar mais exposta ao novo coronavírus quando as crianças voltarem a frequentar a escola.

“Tememos muito o retorno às aulas. Tenho diabetes e minha mãe tem enfisema pulmonar. Aqui em casa temos duas crianças em fase escolar, Francesca, de 14 anos, e Antonella, de 12 anos. Elas devem permanecer em casa, nas aulas online, se isso for opcional até o fim da pandemia. Caso contrário, minha filha, mãe delas, verá como poderá ser feito esse processo”, admite a aposentada.

“Nosso maior medo, além do que já conhecemos da potência do vírus através de reportagens, é que os médicos sempre descobrem novos sintomas e sequelas, ou seja, ainda temos desconhecimento do que o vírus realmente pode causar a curto e a longo prazo, fora o perigo de morte”, completou Maria Elisa, que mora na Vila Prudente.

O casal de aposentados Luís Pinheiro Silva, de 69 anos, e Miriam Cristina Borges Pinheiro, de 67 anos, também mora com os netos e teme o retorno das crianças à escola. Para Luís, a volta às aulas só deveria ocorrer depois da descoberta da vacina contra o novo coronavírus e da imunização de todos.

“Se reabrirem as escolas, sem garantia nenhuma, porque não foi feita a vacina, quem pode dizer que a criança vai manter 1,5m longe um do outro se, no dia a dia, ninguém faz isso, nem dentro do supermercado, nem shopping! A criança pode se contaminar e transmitir para seus familiares, principalmente para os avós, então não acho certo voltar agora. Creio que deveria voltar sim, depois que tiver uma vacina para todos”, disse o avô de Luiz Gustavo, de 8 anos, e de Kethlyn Cristiana, de 6 anos, moradores do Jardim Marília, também na zona leste.

Até este momento, a prefeitura de São Paulo liberou, a partir de 7 de outubro, as aulas presenciais para alunos do ensino superior ou para atividades extracurriculares do ensino infantil, fundamental e médio,.

A volta às aulas das escolas públicas e particulares ainda não tem data definida. O prefeito disse que está sendo avaliada a possibilidade de os estudantes voltarem a partir de 3 de novembro.

Coabitação

Idosos na região central de Brasília.

Mais de 20% dos idosos da cidade de São Paulo moram em casas com jovens em idade escolar. – Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil

De acordo com a professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) Yeda Duarte, mais de 20% dos idosos da cidade de São Paulo moram em casas com jovens em idade escolar. Um fato que, segundo ela, precisa ser levado em conta ao se discutir o retorno das aulas presenciais.

O alerta foi feito durante o webinar “Covid-19, 60+: que epidemia é essa?”, promovido pela Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo) em parceria com o Canal Butantan. A íntegra do evento pode ser assistida no YouTube.

“Estamos falando de aproximadamente 340 mil idosos em contato próximo com crianças e adolescentes que vão retornar à vida normal, podem ser [portadores do SARS-CoV-2] assintomáticos e vão trazer essa contaminação para dentro de casa”, disse a pesquisadora.

Pesquisa

Com o apoio da Fapesp, a professora coordena, desde 2000, o Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), que busca avaliar periodicamente as condições de vida de moradores do município de São Paulo com 60 anos ou mais. O dado apresentado no seminário foi extraído da edição mais recente, conduzida entre 2015 e 2017 com 1.236 participantes selecionados para representar o perfil da população idosa da capital.

Nos últimos meses, em parceria com pesquisadores do Instituto Butantan, a equipe do SABE tem investigado como a covid-19 vem afetando esse grupo de voluntários. Além de entrevistas por telefone para avaliar o impacto da doença e do isolamento social, foram feitos exames sorológicos (para buscar a presença de anticorpos contra o novo coronavírus) em 310 idosos e em todas as pessoas com quem eles mantêm contato frequente.

No caso de indivíduos que apresentaram sintomas suspeitos nos 15 dias que antecederam a coleta, também foi feito o teste de RT-PCR (que detecta o RNA do vírus e é o principal método de diagnóstico da covid-19).

Dados preliminares do SABE-COVID (80% dos resultados tabulados) apontam uma soroprevalência de 4,5% entre os idosos avaliados. Entre seus principais contactantes o percentual foi mais que o dobro: 9,6%.

“O maior número de reagentes está entre os contactantes e essa é uma questão importante quando se fala em retomar as atividades normais. Os idosos estão nas suas casas e, na maioria das vezes, cumprindo o distanciamento social. Mas estão sendo contaminados pelas pessoas que continuam circulando pela cidade e trazem o vírus de fora para dentro”, afirmou Yeda.

A maioria dos casos e os dois únicos óbitos registrados no grupo de estudo ocorreram na zona sul da cidade, em bairros como Campo Limpo, Jardim Ângela e Jardim São Luís. Na sequência estão Pirituba, Freguesia do Ó (ambos na zona norte), Aricanduva e Artur Alvim (na zona leste).

Segundo Yeda, a maior soroprevalência em bairros periféricos tem relação com as condições de moradia nesses locais. “Há, por exemplo, um maior número de pessoas vivendo na mesma casa. Esse aspecto da desigualdade social precisa ser considerado ao se definir a flexibilização das medidas de controle e os grupos prioritários para vacinação”, destacou.

Infectados em casa

Uso de máscara para proteção contra o novo coronavírus.

Uso de máscara para proteção contra o novo coronavírus. – Ricardo Wolffenbuttel/Governo de SC

Dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), apresentados no evento pelo médico Paulo Rossi Menezes, membro da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) da Secretaria Estadual da Saúde, corroboram a avaliação de que a maioria das contaminações entre os idosos ocorreu em casa.

“Após ser introduzida a obrigatoriedade do uso de máscaras, no mês de maio, houve uma inflexão dramática nas curvas de internação e de mortalidade por síndrome respiratória aguda grave [SRAG] associada à covid-19 na capital e na Grande São Paulo. Mas isso quando se olha a população como um todo”, afirmou.

“Já quando se olha apenas as curvas das pessoas com 60 anos ou mais o padrão é totalmente distinto. O crescimento não se interrompe quando a máscara é introduzida e se mantém até o fim de junho. Isso reforça a ideia de que os idosos estão sendo infectados dentro de suas casas. As pessoas que moram com eles saem às ruas de máscara, mas tiram a proteção ao retornar”, explicou.

Segundo Menezes, os casos confirmados de covid-19 no estado de São Paulo estão concentrados na faixa de 30 a 50 anos de idade, à qual pertence boa parte dos indivíduos que continuaram trabalhando no período de quarentena.

No entanto, os idosos representam três quartos das mortes confirmadas. Desses, 83% tinham uma ou mais doenças crônicas, sendo as principais cardiopatias (52,4%), diabetes (36,5%) e doenças neurológicas (10,4%). Entre as pessoas com mais de 60 anos que precisaram ser internadas após contrair o vírus, 42% evoluíram para óbito.

Genética

Na busca por fatores genéticos que podem aumentar ou diminuir o risco de morrer em decorrência da infecção pelo novo coronavírus, a geneticista Mayana Zatz , coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP, já encontrou sete centenárias que tiveram contato com a covid-19 e desenvolveram apenas sintomas leves ou se mantiveram assintomáticas.

“Para identificar os genes de risco e de proteção resolvemos focar nos extremos. Estamos coletando amostras de pessoas que morreram após contrair a doença e de idosos resistentes. Algo que nos surpreendeu foi a existência de casais discordantes, ou seja, em que apenas um dos cônjuges teve a doença. Achávamos que era algo raro, mas recebemos mais de 800 e-mails com esse tipo de relato. Já coletamos amostras de 100 casais e vimos que a maioria dos assintomáticos tem sorologia negativa e 65% são do sexo feminino”, contou.

O passo seguinte será sequenciar o genoma dos centenários e nonagenários resistentes à covid-19, contou a pesquisadora. “Podemos reprogramar células do sangue dessas pessoas para criar linhagens de diversos tecidos, infectar as células em laboratório e ver como o vírus se comporta. Isso nos permitirá entender o mecanismo genético da infecção.”

Também participou do webinar o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, que apresentou resultados parciais dos testes da vacina CoronaVac em voluntários com mais de 60 anos. Segundo o pesquisador, os dados indicam um “excelente perfil de segurança” do imunizante, desenvolvido pela empresa chinesa Sinovac Biotech.


Link do Autor

Pesquisa: paulistas não controlam colesterol, hipertensão e diabetes

Estudo feito com mais de 9 mil pacientes, homens e mulheres, em unidades básicas de saúde de 32 cidades paulistas mostrou que as pessoas não controlam os principais fatores de risco para o coração. O Estudo Epidemiológico de Informações da Comunidade (Epico) revelou que o colesterol, a hipertensão e o diabetes têm índices de controle zero. 

No caso do colesterol, analisado isoladamente, o controle foi de apenas 16%. Somente 25% apresentavam valores de glicemia dentro das metas preconizadas, e a pressão arterial estava sem controle por 48% dos participantes. O estudo foi conduzido pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

“O resultado da pesquisa causou surpresa, pois apenas 16% dos pacientes com colesterol elevado apresentaram valores dentro das metas, 52% dos hipertensos tiveram controle da pressão arterial e somente 25% tinham a glicemia dentro das metas. Quando se avaliou o controle de todos os fatores, nenhum dos 9 mil pesquisados apresentou controle. Esses resultados mostram que há necessidade de educação de pacientes, uso contínuo das medicações, implementação de medidas voltadas ao estilo de vida saudável para aumentar as taxas de controle”, comentou a diretora de Promoção e Pesquisa da Socesp, Maria Cristina de Oliveira Izar.

Para ela, a falta de controle global dos fatores de risco foi o que mais surpreendeu. “Sabemos que mesmo tratados, se os pacientes não estão sob controle, existe um risco residual em que os eventos cardiovasculares podem continuar ocorrendo. Por essa razão, é muito importante o controle de todos os fatores de risco para valores dentro das metas recomendadas. Além disso, é preciso procurar manter o peso ideal, eliminar o tabagismo e praticar exercícios físicos de forma rotineira, mantendo um estilo de vida saudável”.

O Epico comprovou que as taxas de mortalidade cardiovascular no estado de São Paulo não caíram na última década, diferentemente do que ocorreu na maioria dos países comparados.  Após o levantamento, a próxima etapa do estudo será elaborar uma estratégia para maior atenção aos fatores de risco cardiovascular e seu impacto nos índices de mortalidade, a fim de reduzi-los.

Dia Mundial do Coração

Para alertar sobre as complicações das doenças cardiovasculares, a Socesp promove ações de conscientização em seu site e nas mídias sociais, a fim de promover mais qualidade de vida no mês do Dia Mundial do Coração, comemorado nesta terça-feira (29). slogan da campanha é “Nós cuidamos do seu coração” e traz dicas de alimentação saudável, prática de atividade física, combate ao estresse e informações para os fumantes deixarem o cigarro com segurança.

Há também uma série de vídeos gravados por integrantes dos oito departamentos multiprofissionais da entidade, com especialistas em educação física, enfermagem, farmacologia, fisioterapia, nutrição, odontologia, psicologia e serviço social, além de um grupo de estudos sobre cuidados paliativos.

“São ações voltadas à prevenção das doenças cardiovasculares e ao controle de fatores de risco, mas também  abordam o outro extremo, que é do paciente sob risco de vida e em emergências cardiovasculares. Focar na prevenção é fundamental, especialmente durante a pandemia, a diminuição da procura por serviços de saúde e de emergência tem causado maiores taxas de mortes não assistidas, falta de controle dos fatores de risco e piora clínica dos pacientes”, alertou Maria Cristina.

Segundo a entidade, mudanças de hábito podem causar impacto de até 80% nas chances de uma pessoa sofrer um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC) nos próximos dez anos. Segundo Maria Cristina, as mudanças podem ser feitas simultaneamente, sempre que possível.

“Devemos atentar que para aqueles que já têm o hábito de se exercitar, existem aplicativos e vídeos que podem auxiliar na promoção da saúde. No entanto, para aqueles que não praticam exercícios, a supervisão de profissional de educação física é recomendada, assim como a orientação de um nutricionista. A modalidade de exercício escolhida deve ser aquela que o indivíduo goste de praticar, que seja compatível com sua condição e possa ser feita pelo menos por 30 minutos em cinco dias da semana”, aconselhou.

Covid-19 e o coração

A pandemia de covid-19 trouxe maior preocupação com as doenças cardiovasculares, já que o vírus causa maior impacto nos cardiopatas. “Não temos a completa dimensão do impacto que o coronavírus terá no futuro, mas sabemos que é essencial cuidar de nossos corações agora, já que os cardiopatas têm maiores complicações ao serem contaminados”, disse o presidente da Socesp, João Fernando Monteiro Ferreira.

As doenças cardiovasculares matam, em todo o mundo, mais do que por qualquer outra causa: cerca de 17,9 milhões a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, são 400 mil óbitos anuais. Boa parte dos fatores de risco para o coração é modificável, como a inatividade física, a dieta não saudável, a pressão arterial elevada, o uso do tabaco, o colesterol sem controle, a obesidade e o excesso de peso. Os fatores não modificáveis são o histórico familiar e o diabetes, mas que podem ser atenuados.


Link do Autor

PF combate garimpo ilegal em terras indígenas no Pará

A Polícia Federal (PF) deflagrou a segunda fase da Operação Bezerro de Ouro, informou hoje (28) a instituição. O objetivo foi reprimir garimpo ilegal de ouro no interior da terra indígena Munduruku, no Pará.

Segundo a PF, a ação está no contexto da Operação Verde Brasil 2 – um conjunto de atividades focadas na proteção e preservação da Amazônia e demais biomas, bem como das terras indígenas.

Por três dias seguidos, sexta (25), sábado (26) e domingo (27), a PF partiu de helicóptero para três grandes áreas de garimpo mapeadas dentro da terra indígena Munduruku. Ao final foram inutilizados 20 maquinários de garimpos entre pá carregadeiras, tratores e outros. A PF estima dano de ambiental de aproximadamente de R$ 8 milhões, referente ao período de seis meses.

Participaram da operação cerca de 30 policiais federais. A operação também contou com apoio logístico da Força Aérea Brasileira e do Exército. Houve ainda participação de equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em fiscalizações no interior da terra indígena.

As investigações foram realizadas com o auxílio do sistema de monitoramento remoto contratado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o programa Brasil Mais, que possibilita o acesso a imagens de alta resolução e alertas diários de detecção de mudanças ambientais com acompanhamento por satélite. Segundo a Polícia Federal, o sistema permitiu a rápida localização das áreas de exploração ilegal.

A PF esclarece que a legislação brasileira não permite a obtenção de lavras garimpeiras dentro de áreas demarcadas como terra indígena.

Bezerro de Ouro

No dia 6 de agosto, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Bezerro de Ouro, cumprindo seis mandados de busca e apreensão e sequestro de bens contra um grupo apontado como um dos principais atuantes no garimpo ilegal na região.


Link do Autor